“Minha primeira assinatura de revista não foi de Veja ou muito menos de Superinteressante: a escolhida deste que vos fala foi a EGM Brasil, uma revista de… videogame!”
Sou um viciado em revistas. Se pudesse, certamente faria a assinatura de dez a quinze títulos diferentes, dos mais variados assuntos. Na verdade, sou um viciado em informação. Quando dou uma navegada na web, inevitavelmente acabo lendo coisas que vão de economia e aquecimento global a culinária e futilidades. Mas, sem sombra de dúvidas, um assunto sempre acaba prevalecendo: games.
Desde criança, sempre fui colecionador de revistas de videogame. Tenho comigo centenas de exemplares de Ação Games, Super Game Power, Gamers e algumas outras saudosas publicações que marcaram época e a infância de muito marmanjo de hoje em dia. E a minha primeira assinatura de revista não foi de Veja ou muito menos de Superinteressante (a melhor revista do Brasil, na minha opinião): a escolhida deste que vos fala foi a EGM Brasil, uma revista de… videogame, oras!
Já estava pensando em assinar a revista desde dezembro, quando houve uma reforma gráfica e editorial da mesma. Mas o que de fato me levou a tal atitude, confesso, foi uma promoção especial feita em abril, devido ao aniversário de cinco anos da publicação: uma assinatura de um ano com 50% de desconto ao preço praticado em banca. Mesmo sem ser um jogador de videogame, de fato, desde 2002 – época em que entrei para a faculdade e minhas prioridades começaram a ser outras –, sempre acompanhei o setor e, bem ou mal, comprava umas revistas de vez em quando. E nesse período, pude acompanhar a grande evolução pela qual as revistas de videogame passaram.
Após o crash de 2001, quando Ação Games fora descontinuada e a SGP saíra abruptamente de circulação para voltar somente meses mais tarde, um grande vácuo se abatera aos fãs brasileiros de videogames. A Gamers já não era mais a mesma e restaram apenas algumas publicações especializadas em determinados sistemas, como a Nintendo World e a Dicas e Truques para PlayStation. Foi quando a então Conrad Editora surpreendeu a todos e lançou a edição brasileira da Electronic Gaming Monthly, maior e mais conceituada revista de games dos EUA. E foi aí que nasceu a primeira grande revista multissistemas do país desde o lançamento da Videogame, em 1991.
No começo, a EGM Brasil tinha muito conteúdo importado da equipe gringa e pouco material original voltado aos gamers brasileiros. Mas com o passar do tempo, incorporou às suas páginas reportagens compatíveis com a realidade do país, feita de brasileiros para brasileiros: o material de apoio gringo estava lá, mas o “tchan” da equipe brasileira a deixava com uma cara mais tupiniquim. E a equipe adotou uma postura realmente profissional, levando seu trabalho a sério e pondo um fim à era em que os redatores de revistas de videogames se escondiam atrás de personagens ou eram meros “pilotos”. Assim como o público médio dos videogames crescera, os leitores destas revistas também estavam agora mais maduros. E com essa visão em mente, a EGM Brasil deu um notável passo de qualidade nos últimos tempos.
A última edição, que chegou a mim com um atraso de duas semanas – devidamente reclamado ao departamento de assinaturas da Futuro Comunicação, – é a prova mais cabal dessa nova realidade: o grande destaque da edição não é nem um grande jogo em preview, nem o lançamento de uma nova versão de um clássico. É uma ótima e extensa reportagem sobre a pirataria no Brasil – e não apenas de videogames. Algo que poderia muito bem ter sido publicado numa Superinteressante ou mesmo num caderno de tecnologia de um grande jornal. Sem exagero. E além da reportagem de capa há ainda pelo menos mais quatro grandes matérias de alto interesse ao gamer brazuca, totalmente feitas pela equipe brasileira. Aliás, vale ressaltar que as únicas reportagens realmente dignas de atenção vindas da EGM gringa são o preview do God of War para PSP e uma entrevista com Hironobu Sakaguchi, criador de Final Fantasy. E só.
Muito se tem discutido sobre o fim das revistas de videogame, já que hoje a presença maciça da internet acaba superando as revistas no quesito velocidade. Você vai num site e, em poucos cliques, sabe das últimas novidades do momento. Mas publicações como a EGM Brasil mantém as revistas no páreo ao apostarem em conteúdo original e aprofundado, dificilmente visto em sites de internet. Ao levar sua condição de veículo de informação a sério e não tratar seu leitor como um pré-adolescente, a versão brasileira da EGM vêm alcançando até aqui o seu grande objetivo: o de ser a melhor revista de entretenimento para gamers adultos.
***
A EGM Brasil 65 está mesmo excelente – é seguramente uma das melhores edições da revista. Mas ainda não foi desta vez que o pessoal alcançou a perfeição, se é que isto é possível. Alguns erros de ortografia e digitação ainda fazem doer os olhos em alguns trechos. E o pior é que isso às vezes acontece em lugares de destaque, como os olhos (textos em destaque) das reportagens. Mas o erro mais grave foi mesmo a repetição da página 88 na 90. Cuidado, gente!
***
E nesta edição saiu também o resultado da Promoção Revista do Futuro, que daria os três consoles da nova geração para um único felizardo. Participei fazendo uma capa alternativa para esta edição (veja a miniatura dela na imagem que ilustra este post, alternando com a capa original) e uma reportagem especial sobre o Dreamcast – que, inclusive, apareceu na seção Cult com uma temática semelhante à minha proposta. Tanto a capa em “versão estendida” quanto a reportagem em si você confere na próxima quinta-feira, aqui no BdB.
***
E quando me perguntam do que fala a revista que eu assino, eu respondo: “entretenimento eletrônico, tecnologia… essas coisas, sabe?”. Sim, tem gente que ainda torce o nariz quando um cara de 23 anos diz que lê “revista de vidiogueime”!…
_
Post Relacionado: O paradoxo PlayStation
_ _ _

Espero que tu não se ofenda com o que eu vou falar agora, mas… pelos teus comentários nos blogs por aí, eu não fazia idéia de que tu escrevia tão bem!
Pensando bem, é um elogio. E não tem motivo pra alguém se ofender com elogio, certo?
Mas, sério, o post está muito bem escrito. Parabéns mesmo! A edição 65 da EGM está mesmo incrivelmnte boa, talvez tenha sido a melhor edição da história da revista. Agora o lance é mostrar essa matéria para todo mundo que compra piratas achando que é esperto.
Pode crer, Bud-dy: vou voltar aqui mais vezes. Abraço!
(PS.: Se for responder, responda em um novo comentário, beleza? Senão eu vou acabar não vendo a resposta…
)
Hum, não fui “oficialmente convidado” para ver o post, como o Fábio, haha, mas mesmo assim vim dar uma espiada. (curiosidade sux >.
Ps. Tinah escrito maior texto, e por causa de um sinal de maior (ou menor, nunca lembro) não foi nada U.U’
Mas resumindo: eu assino super ha uns tres anos, e concordo com você: é a melhor revista do Brasil.
Sempre quis assinar uma revista de games, mas dpeois que comecei a trabalhar com isso,a chei meio “injusto” optar apenas por uma…Ai tento ler todas sempre que posso =)
Parabéns pelo seu review Budrush, ficou muito bacana mesmo =)
Grande abraço!
Eu leio a Superinteressante e a Veja. Eu considerava a Super a melhor do Brasil até conhecer a Galileu, da (eca!) Globo. É uma revista excelente tb com bastante matérias, mas ainda não tem o “quê” da Super (o designer da Super, por exemplo, é uma aula de diagramação para mim). Eu acho q não dá para comparar com a Veja: são revistas de perfis diferentes. Mas na área “Geral” a Veja é a melhor. Já li a Época, e é horrível! Vá por mim, não a leiam.
Sobre revistas de Games: quando criança eu não comprava, pasme! A que eu gostava era a Herói, q até foi relançada muito recentemente. Baratinha, chapada de um design gráfico surpreendete (para época), vinha sempre na capa com o tema dos Caval. do Zodíaco! Rs gostei de ler o texto, sessão nostalgia! T+
Hahaha! Fabio, vou encarar sua observação como um elogio mesmo, ok?
).
E sim, volte sempre. Acho que já falei isso pra você, mas o 16-bit foi a minha grande referência ao entrar na blogosfera (repare como escolhi o mesmo layout, uso quase as mesmas ferramentas… fora o “help” que você me deu pra colocar o “continue lendo…” nos posts, lembra?
Lucas, não fique com ciúmes! Você já é “cliente VIP” aqui do BdB!
Por fim, Francisco: realmente o pessoal de infografia da equipe da Super é imbatível. Mesmo podendo ter textos superiores, a Galileu acaba perdendo muito por não possuir um visual tão atrativo quanto o da concorrente. Mas considero a Super “a melhor do Brasil” não somente pela revista em si, mas pelo talento da equipe: seus desdobramentos, como Aventuras na História, Mundo Estranho e Vida Simples são simplesmente espetaculares e de altíssimo nível editorial.
Próximos!
Hey, já ia te perguntar que capa era aquela! Ficou bem profissa! Lá no meu blog tem um texto do Chocobo que foi o que eu mandei para a promoção, e concidentemente (ou não?) também saiu algo muito parecido na EGM! Eu devia ter seguido meu plano original que era mandar uns vinte textos ,mas a preguiça me dominou e aí já viu né? Mas eles vão publicar mais alguns nas próximas edições, espero que sejamos escolhidos. Abraço Sr. Budrrrrrrush.
Bud, passei por tudo isso que você falou também, inclusive eu acompanhei todas essas revistas que vc citou…
Na época, eu achava a Ação Games muito boa, mas eu lembro que ela sempre acompanhava o preço da recém lançada SGP, e em um mês a Ação Games elevou o preço baseada no que faria a SGP, mas a SGP manteve o preço antigo, e aí, haja Ação Games encalhada.
Eu concordo contigo, o legal de revistas sérias são essas matérias que não se encontra em sites… tudo bem, o FinalBoss até tem algumas entrevistas… mas essas matérias que vc citou, são muito boas.
Sobre ler revistas: eu também sou viciado em news, informações, etc. Sabe o que faço: vou ao SESC no final do semana, e tiro uma parte do dia para ler todas as revistas que gosto. Afinal, ainda não sou rico pra comprar/assinar todas…
Resposta: Eu não vou no SESC: vou à banca, mesmo. Aí o jornaleiro faz aquela cara de assassino, já que eu fico só olhando e raramente compro!
Mas sempre leio a VEJA inteirinha pela internet, assim como a Super e algumas outras.
Muito bom!
Quando eu era aborrecente e fui um sequinha de vídeo games (bons tempos de meu Saturn e PlayStation (ainda não tinha essa de 1,2 e 3) lia todas.
o fato de trabalhar numa banca de jornal facilitava o acesso às revistas, sendo que a maioria acabava sendo descontado do salário baixo.
Saudades dessas revistas: SGP, Ação Games, Gamers, entre tantas outras. Hoje não tenho tempo para jogar mais nada. Nem no PC, onde de vez em quando arriscava alguma coisa, jogo mais.
Parabéns Bud!
Resposta: Caramba, você teve um Saturno, Bonilha? Eu estou com um lá em casa, com o Nights original. Mas tá pegando poeira, porque o jogo exige o controle 3D (que não acho em nenhum lugar) e o cabo RF deixa a imagem uma porcaria (também não acho o cabo AV em nenhum canto). E hoje eu só jogo emuladores no meu PC!
Ah, sim: pra quem não percebeu, aí no texto, nos nomes Ação Games e Videogame, há links para baixar algumas edições dessas revistas em PDF. Aquela Videogame com o Mario World do SNES na capa foi a primeira revista que eu comprei, no mesmo dia em que ganhei um Banco Imobiliário – que tenho até hoje!
Belo post!!!
Eu adoro a Super, ganhei aquela que veio com uma holografia de um cavalo-marinho quando era um pirralho, mas como sempre dei prioridade para outras revistas, infelizmente nunca pude ler a Super mensalmente. Ano passado comprei o box CD-ROM com todas edições publicadas até 2006 e estou lendo duas Super antigas por mês, daqui a 9 anos eu leio todas, aí só vão faltar as de 2006 em diante, huahuahua.
Também tenho caixas e caixas com revistas de games, é muito gostoso de vez em quando abrir a caixa (aqui, cena do Link abrindo o baú!)e reler antigas edições, dar risadas com bobagens bizarras e relembrar os games que ainda( ainda!) não joguei..
Mas ei, será que a Futuro um dia vai lançar um box com todas as ediões da EGM e Nintendo World???
Uma revista boa é isso: vai além da capa, possui matérias relacionadas com o tema ao qual se destina, sob uma perspectiva ampla, não tem medo de inovar, valoriza o texto à imagem, e custa muito pouco( ok, ok, brincadeira, tem que valer o quanto têm de conteúdo mesmo).
E a Veja só vai ser a melhor revista do Brasil quando tiver uma coluna fixa sobre games e quadrinhos. Depois das famigeradas e clássicas “páginas amarelas”, que tal as “páginas interativas”???
1up para todos!!!!
Resposta: E belo comentário!
Caro Rodrigo Budrush, você colabora com scans de revistas de videogames? Vi que você citou a datacassete, mas tem também a GameScans.
Visite nosso site pra descobrir o melhor do romhacking!
http://www.romhackers.org