Longa baseado em obra de Plínio Marcos é fiel às raízes e se destaca em meio a atual safra “realidade real do povo brasileiro” do cinema nacional
Primeiro, veio Cidade dos Homens. Depois, Tropa de Elite – ainda que de forma clandestina. Querô (Brasil, 2007, dirigido por Carlos Cortez) aparece nesse vácuo de filmes-realidade que estampa a atual safra de nosso cinema. Mas, acredite: toda forma de reflexão é válida. E, assim como o pioneiro Cidade de Deus fez muita gente pensar na situação dos meninos do tráfico, Querô nos leva a questionar a situação de muitos outros meninos – esses que vemos corriqueiramente por aí, nas ruas, tachados de trombadinhas. Enfim, expõe mais essa grande mazela brasileira na telona para todo mundo ver, da forma mais próxima possível da realidade.
Baseado no livro Querô: Uma Reportagem Maldita, escrito pelo dramaturgo santista Plínio Marcos nos anos 70, o longa de Carlos Cortez mostra que, ainda que haja certas atualizações aqui e ali, a situação não difere tanto daquela época. Querô é um garoto órfão de mãe – uma prostituta que se suicida bebendo querosene, daí o seu apelido – e filho de pai desconhecido. É criado por uma cafetona tirana dos becos de Santos e vive aprontando pequenos delitos pelas ruas da cidade, até ser encaminhado para a Febem. Logo de cara, arruma uma baita confusão e vai parar na solitária. Numa das cenas mais tocantes do filme, o personagem indaga: “Por que tu me pôs no mundo, mãe? Vivo de favor, como de esmola. Isso não presta, isso acaba com a gente. Deixa a gente ruim, mãe”. Assim que sai da companhia das baratas, o garoto é estuprado por outros detentos. Cheio de ódio, Querô lidera uma rebelião após matar o diretor do recinto. E a partir daí, sua trajetória já sinalizava um final não tão feliz.
A produção de Querô realizou vários testes com meninos da região até escolher como protagonista Maxwell Nascimento, que empresta uma presença de tela marcante ao personagem-título. Apesar de toda a crueza da história, há em seus olhos uma certa ternura que acaba por neutralizar tanta violência. A iniciativa de trabalhar com adolescentes em oficinas de interpretação e a opção de se filmar sem um roteiro propriamente dito mais uma vez lembra Cidade de Deus. E, assim como este, rendeu frutos: muitas oficinas continuam funcionando até hoje em Santos.
Enfim, Querô é um filme forte, verdadeiro e emocionante. Certamente fará você refletir e se perguntar muitas coisas. Não deixe que a aparente igualdade de gêneros dos filmes em cartaz o impeça de conferi-lo: vale muito a pena!
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E não é que a “versão alternativa” de Tropa de Elite chegou até as minhas mãos também neste fim-de-semana? Bem, recuso-me a fazer qualquer análise de um filme inacabado. Mas de uma coisa vocês podem ter certeza: vem chumbo grosso por aí. Sem trocadilhos!
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E já está confirmado: quem representará o Brasil no Oscar 2008 será O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias, de Cao Hamburguer. Ótima escolha, diga-se de passagem!
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Não posso falar nada sobre esse filme: antes de ele estrear, foi exibido na sala de audiência da Unaerp. Eu e um monte de colegas fomos jogar basquete na quadra! Outros tantos caíram fora, rsrsrsrs!
Eu, que sempre assisti filme nacional na TV, continuo sem contribuir em nada ao cinema nacional.
Tem novas no Bem-bolado. T+
Querô estou para assistir, aproveitar uns convites free que ganhei. Tropa de Elite estava com a resenha praticamente pronta, até ver que poderia ser processado por pirataria, pois estaria confessando que pratiquei o crime. Por causa disso acabei apagando e perdendo o conteúdo. No fim de semana faço uma nova.
Abraço Budrush