O atraso do nosso país não é culpa só dos políticos: você e eu somos ainda piores
Quem vê o Top 10 do budrush.com e aquela avalanche de textos sobre televisão pode até achar que aqui a gente só discute banalidades. Ledo engano…
Assim que criei o blog, Lula tinha acabado de se reeleger. O escândalo da vez ainda era aquela montanha de dinheiro que surgiu de maneira inexplicável para sua campanha (e que até agora, diga-se, continua sem explicação) e restavam ainda alguns resíduos aqui e ali dos mensaleiros. Mas a primeira grande palhaçada envolvendo política depois que virei blogueiro foi aquele absurdo de tentativa de aumento do salário dos parlamentares. O povo se revoltou e os caras tiveram que sossegar… ainda que por tempo limitado. Depois, basicamente, tivemos mortes de famosos, tragédias, mais mortes, anúncios vazios, viagens, visitas VIPs, vaias, ainda mais mortes, fantasias e… pizzas, é claro.
Entra governo, sai governo e o que nós nunca vemos sair dos noticiários são os escândalos e a corrupção. Mas por que isso acontece, afinal? Simples: porque ser pilantra e levar vantagem em cima dos outros é algo que está em nosso DNA. O problema do Brasil não é os políticos, em si. São as pessoas. É você. Sou eu.
Nossa sociedade tem um grave problema cultural: cultua os bandidos e vê com estranheza os honestos e trabalhadores. Quantas pessoas, dentre as quais você conhece, são realmente dignas de confiança?
Aproveitando que hoje é feriado de Proclamação da República, deixo aqui uma questão para todos: afinal, vivemos realmente numa democracia? Porque eu não vejo democracia num país em que crianças estão à solta nos semáforos da vida ao invés de estar numa (boa) escola. Também não vejo democracia quando um magnata corrupto não é preso depois de roubar dinheiro público. Não vejo democracia quando a grana que veio dos impostos que paguei não é aplicada naquilo que o Estado deveria me conceder, obrigando-me a sacrificar-me ainda mais para pagar por serviços privados. Enfim: EU NÃO VEJO DEMOCRACIA NESTE PAÍS. Enquanto não nos esforçarmos para mudar esse nosso DNA defeituoso, jamais viveremos uma democracia plena.
Mas… e você? O que acha, afinal?
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A seguir, no Especial de Aniversário: no escurinho do cinema!
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Pois é Bud, concordo totalmente com você, como você sabe, eu também sempre digo isso: a culpa é nossa. Em notícias de corrupção, a maioria ANTES de ficar indignado se imagina no lugar do corrupto, recebendo caminhões de dinheiro.
As pessoas reclamam de um político que suborna fiscais, mas não se importam em tirar 50 reais pra subornar um policial. Repare que a única diferença é a proporção: a gente ganha salários mínimos e gasta 50 pra subornar. O político tem rios de dinheiro em sua mão, e o suborno do fiscal (ou outros políticos) custará uma parcela ínfima.
Eu sinceramente cheguei à uma conclusão: só nos resta semear com palavras e bons exemplos que “devemos agir corretamente pelo bem dos seres humanos, e não por que se agirmos mal seremos punidos”, ou “o mundo é o que você faz dele”, etc. Repassar aos nossos amigos e (futuros ou atuais) filhos. Acho que dessa maneira podemos fazer com que no futuro nosso país seja diferente.
Como diz o ditado, “cada povo tem o governo que merece”.
É verdade, Rael. O lance é tentar esclarecer quem está próximo da gente dando bons exemplos.
Ao menos sei que não estou sozinho com meus conceitos sobre nosso país. Cabe a nós decidirmos quando vamos nos unir e formar uma multidão para mudar a situação. Pois 1 + 1 = 2, só que essa conta bem maior que parece e juntos podemos dar um jeito nos problemas que nesse país mais parecem cusparadas na cara sem uma reação (da nossa parte, claro!)!!!
É isso aí, abaixo a anestesia!!!
As armas! Sou hipocrita ao dizer, mas creio que a solução seja mesmo tentar – com poucos agentes – mobilizar (acordar) a sociedade de maneiras mais “presentes e marcantes”…..pena que isso seja um sonho perante o povo lobotomizado que vive sua vida com medo de cobrar, com vergonha de ser e com valores mesquinhos que vizam somente o lucro final, próprio e depreciativo ao próximo.
Hoje de manhã minha mãe me falva de como a cabeça das pessoas tem a capacidade de canalizar e atrair coisas ruins. De como devemos ser mar otimitas ao invés de “prever” problemas. Senti vergonha por que – graças a Deus – trabalho, tenho saúde e meu filho deve nascer em fevereiro mas, mesmo assim, sinto o mesmo que todos os brasileiros como eu, tentando viver uma vida normal e “dentro dos confromes”: desesperança.
Nota: não sei se lembra: minha mãe tem câncer em estágio preventivo, ou seja, dia 30 ela ira passar por uma operação para a retirada de seu tumor. Pelo essa situação e o nascimento do Thiago (o nome do meu “muleque”) são motivo pra acrescentar o mínimo de algo que deveria ser presente na vida de todos: Fé.
Pena que o Mano Brown tem cada dia mais razão em uma música dos Racionais Mc´s (Vida Loka Vr.s II acho):
“Em São Paulo (leia-se em todo Brasil) Deus é uma nota de 100″.
Abraço Bud!
Saudades da sua paciência em me ovir pessoalmente.
A Fé é uma coisa que não podemos perder nunca. E, por mais que às vezes eu também fique desesperançoso ou chateado com as lambanças deste país, procuro ser otimista sempre. E, mesmo que fique com fama de “chato”, procuro sempre tentar discutir com as outras pessoas (mesmo as que não tem um pingo de interesse) sobre os rumos de nosso querido Brasil.