Preços astronômicos, jogos superestimados e máquinas desequilibradas tornam a nova geração de videogames uma das menos empolgantes dos últimos tempos. Ainda bem que existem os portáteis…
Logo que o blog começou, quando eu nem sabia como deixar uma imagem alinhada à direita com o texto, escrevi um post que resumia brevemente a indústria de videogames no Brasil. E constatei que aquele hobby que tanto me alegrava quando era moleque e que até hoje não deixei de acompanhar havia virado coisa de uma pequena elite.
Sejamos honestos: no Brasil em que vivemos hoje, quem tem grana para usufruir legalmente de um console de nova geração? Eu achava caro quando a Tec Toy lançava um console a R$ 900. Imaginem agora, quando vejo um videogame – que, por mais funcionalidades que insistam em agregar, continua sendo principalmente uma máquina de jogos – custando cerca de R$ 2 mil?
2007 foi o primeiro ano de concorrência direta entre os três grandes consoles next-gen – se você passou o ano na Lua, estou falando do Xbox 360, PlayStation 3 e Nintendo Wii. E o que vimos desde então? Uma grande farsa, capitaneada por lançamentos esdrúxulos, hype desmedido, blefes risonhos e um desequilíbrio nunca antes visto nessa briga.
O 360 completará seu segundo aniversário sem possuir ainda a versão brasileira de sua rede online, seguramente a grande estrela da plataforma. Outro problema do console é sua pouca variedade de gêneros – há uma sobrecarga de jogos de corrida e tiro para o sistema. Sem falar em sua aparente crise de confiança, que obrigou a Microsoft a estender a garantia do hardware – que dava pau freqüentemente, com as famosas três luzes vermelhas do inferno. O fato é: ainda que, no geral, seja no 360 que estejam os melhores jogos desta geração até o momento, ainda tem uma multidão de gente com o pé atrás em relação ao console – afinal, dois mil reais são dois mil reais.
A Nintendo surpreendeu com o Wii, um sucesso de vendas – e olha que, mesmo sendo o mais barato da geração, ainda considero o console muito caro pelo o que ele faz. Surpresas também ficaram as softhouses, que não acreditavam na máquina e correram para produzir qualquer porcaria para o console. O resultado foi uma penca de games desprezíveis e descartáveis. Até aqui, dá para se contar nos dedos os jogos que realmente valem a pena no Wii – e, invariavelmente, todos eles podem ser da própria Nintendo. Se os jogos desta não servirem de parâmetro para que outras empresas produzam algo decente, o futuro da maquininha branca pode ser bem sombrio.
Por fim, o PlayStation 3 foi um grande paradoxo, como cheguei a discorrer plenamente aqui. Mas, ao passo em que cortes de preço e grandes jogos são anunciados, a tendência é de que sua situação melhore. Mas eu ainda não gastaria meu rico dinheirinho numa máquina de promessas. E muita gente parece pensar igual, o que pode ser um perigoso ciclo vicioso para a outrora líder absoluta Sony.
Mas… então a nova geração é uma droga, certo? Bem, se estivermos falando dos consoles de mesa, eu diria: com certeza. Mas, se nos atentarmos aos portáteis, veremos que nem tudo está perdido: o Nintendo DS e o PSP, o PlayStation portátil, são alguns dos melhores consoles de todos os tempos. Os gamers old-school encontram neles um porto seguro de jogos simples, originais e divertidos – qualidades que, no final das contas, todos nós sempre queremos de um jogo de videogame. Guardadas as devidas proporções, eu arriscaria dizer que o PSP é a reencarnação do Mega Drive e o Nintendo DS, a do Super NES: são consoles que se completam, que fazem felizes os seus donos e que invariavelmente nos trazem grandes clássicos.
Pra quê gastar uma dinheirama em máquinas que ainda não mostraram seus devidos potenciais ou vão acabar lhe frustrando? Quer um conselho de um jogador das antigas – bem… nem tanto assim
– e que prima pela diversão acima de tudo? Então deixe esses “next-gen” de mentira para depois e abrace a verdadeira nova geração: quem tem um PSP ou DS dificilmente esquenta a cabeça!
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A seguir, no Especial de Aniversário: aqui é tudo original!
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CONCORDO PLENAMENTEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEE!!!
PSP E DS RLZ ^_^
Belo post…Generalismos à parte, acredito que ainda haja uma esperança para essa nova geração, pois a tendência natural é a redução de preços e aumento na biblioteca de jogos para todas as plataformas, mas dificilmente haverá uma unanimidade como na geração anterior que vencia praticamente em todos aspectos, como foi (e pra mim ainda é) com PS2.
Incrível budrush, se eu fosse escrever um texto sobre o assunto, falaria exatamente a mesma coisa!
Acredito que o alto preço se deva à tecnologia implantada neles. O PS1 tinha um preço de SNES pq o seu processador era de o mesmo de um SNES: 32 bits. Estes novos videogames utilizam hardware dignos de SuperPCs.
Eu acho q criativamente a indústria está cansada. Os jogos são sempre no mesmo estilo (as melhorias ficam no processamento e gráficos). Talvez por isso o Wii seja o líder das vendas, com o seu joystick inovador. Os jogos são bobinhos sim, mas para nós, velhos gamers. Vai ver q é divertido jogar Wii com a família reunida (sei lá).
A indústria se repete muito. Há anos prefiro os jogos de estratégias e estilo Sims do PC q se pode jogar infinitamente. Pense bem: para q vou pagar 2 mil em um videogame para jogar um 1ª pessoa em q mato um monte de monstros??? Assim, prefiro baixar de graça o velho Doom q roda no DOS (Rsrsrs, mas falando meio sério). T+
Atomic, o PS2 é simplesmente o melhor console de todos os tempos.
Maxi: “transmamento de pensassão”?!?
E Francisco, a CPU do PS1 era MUUUITO mais poderosa que a do SNES e, em termos tecnológicos, era algo comparável ao que os novos consoles oferecem hoje. E realmente, pagar caro num cosnole pra ter um simples “mais do mesmo” é muito gasoso.
Bud, [seu post inteiro] x 2
E, sobre o Wii, meu medo é que vire um Atari: um montão de games repetitivos e simplórios, sempre explorando a mesma fórmula, até que o povo se canse dele.
Nossa, cara, já pensou se isso acontece? Seria no mínimo irônico um novo crash causado pelo Wii, já que foi a Nintendo quem “salvou” os videogames nos anos 80.
Verdade, bem lembrado, Bud! Ao menos os jogos da própria Nintendo são sempre AAA (Shaka mode detected!).
Ainda estou com fe nos consoles de mesa, mas o ritmo ta devagaaaaaar. Sabe o que estou jogando agora? Super Mario All Stars pra SNES. Nao em virtual console nem em emuladores. No SNES mesmo. Ta certo que isso faz parte do meu Aquecimario – o Aquecimento do Mario, pra estar prontinho quando o meu Galaxy chegar, mas percebo que All Stars esta me dando a diversao que eu queria com os atuais consoles. Nao que o Wii nao me de isso, mas sei la.
2008 eh pra ser o ano da verdade. Se os jogos do Wii nao melhorarem, bau bau. Se o Ps3 nao mostrar a que veio, bau bau. Se o 360 nao… sei la… bau bau.
Foi mal, me confundi, me baseei nos termos de bits dos processadores (32 dos PS X 16 do SNES), o PSX era bem mais potente que o SNES sim. Aqui vão algumas características deles:
–SNES
*Unidade de Processamento Central (CPU): 16-Bit – CMD/GTE 65C816 (Western Design Center) customizado (CISC) 5A22 e contem 2a03.
*Clock: 1.79MHz, 2.68MHz ou 3.58 Mhz (variável)
*Memória (RAM) Cache para o processador principal: 1 Megabit (128 KB)
*Número máximo de cores na tela: 4096
–PSX
*CPU: 3000A (R3051) 32bit RISC rodando a 33.8 MHz
*GPU 3D: embutida na CPU, capaz de fazer 300.000 polígonos por segundo e mapear 200.000 polígonos texturizados.
*GPU 2D: separada da CPU num chip próprio. Capaz de gerar até 16.7 milhões de cores, com resolução em até 640×480.
*Som: pode tocar fontes em PCM com 24 canais e qualidade de CD (44.1 Khz). Suporta o formato MIDI.
*Memória: 2 megabytes de RAM, 1 megabyte de RAM dedicada a vídeo.
T+
Muito bom Budrush. Concordo com o texto.
http://www.evilgambit.net/EGL/editorial/index.htm
Esse aqui tem uma linha bem parecida, li faz um tempinho, e, agora lendo o seu foi impossível não lembrar.
Disse tudo. Nova geração é para poucos, que mesmo assim, dificilmente conseguem manter-se com as novidades.
Os portateis são geniais, mais acessiceis e em muitas das vezes, mais divertidos. Talvez divertidos não seja a palavra certa, porque isso é bem pessoal, mas eu arrisco dizer que eles são mais “completos” perante sua propostas e capacidades.
PS. Adoro quando vc fala de videogame lol uhauha
Valeu, Good Luck!
E, a julgar pelos comentários, parece que todo mundo pensa a mesma coisa. Não é à toa, portanto, que hoje os portáteis são campeões de vendas e deixam os “grandões” comendo poeira!
Concordo em parte, Bud. Comprei um Wii no começo do ano e (ainda) não me arrependi. Claro que esse mar de vagabundices e porcarias que lançam pra ele broxam bastante, mas ao mesmo tempo saem muitas pequenas produções de qualidade, como aconteceu no PS1. Trauma Center, por exemplo, é fantástico, assim como Zack and Wiki. Acho difícil ele virar um novo Atari, já que hoje não existe mais aquele monopólio ridículo.
Quanto aos outros dois, fico atrás por causa do preço e dos jogos repetitivos, mas tendem a melhorar.
Mas eu concordo com você que tudo fica cada vez mais caro e repetitivo nessa nova geração. Em 2002, quando o dólar encostava em 4 reais, eu também achava um absurdo o GameCube (que custava 200 dólares) custar 900 reais. No Brasil, é complicado sustentar esse hobby. E viva o PlayStation 2!
E pedindo desculpas pelo flood, tem mais uma coisa: pense no PSP e no DS há 3 anos. Ninguém dava nada pelos jogos de lançamento dos dois. O DS não entregava a inovação prometida e o PSP não fazia jogos à altura do PS2 como suposto. E hoje? Não tem quem não elogie. Dê tempo ao tempo, meu chapa.
Não tenho dúvidas que, daqui a uns 2 anos, a next-gen estará a pleno vapor, Langdon. Mas o negócio é que, no momento atual, ela simplesmente não vale o que custa.
2 anos?
Ah cara, eu acho que 1 ano…
Mas o problema do Wii, foi a grande sequela do desastre do gamecube…
– Vai sair outro console da nintendo? Xii…
(alguns meses depois)
– Corre caray! Faz um jogo aí que o Wii fez sucesso…
Já o 360 pode facilmente ter o problema resolvido.
E o PS3 está em um ritmo, que deveria estar um ano atrás. Antigamente eu nem gostava dele… mas agora eu tenho um grande respeito
Pra mim, o PS3 ainda não compensa. O único jogo de third-parties que me interessa é MGS4, e até agora, os poucos jogos AAA lançados são da própria Sony. Desse jeito o console está em processo de se tornar outro GameCube: muito potencial, pouca prática.
É verdade, Langdon. Como já disseram uma vez no mini-fórum do FinalBoss, o PS3 está com cara de ser o Nintendo 64 desta geração.
Concordo Bud.
PS3 por enquanto não estou interessado, tem poucos jogos bons e estou esperando MGS4. Agora no final do ano vou pega um PSP e quem sabe em 2008 eu esteja com um Nintendo Wii.
“Guardadas as devidas proporções, eu arriscaria dizer que o PSP é a reencarnação do Mega Drive e o Nintendo DS, a do Super NES…”
Perfeito! Onde mais eu encontraria jogos 2D?
É engraçado ver que todos os trunfos do PS3 são “repetecos”. MGS4, RE5, GT5, GoW3. Percebam como os números sempre aparecem com as letras.
OK, MGS nunca decepciona, e RE merece todo os respeito… mas poderiam inovar, não acham? Acho que Shadow of the Colossus é a obra de arte máxima do PS2 e que o Sr. Ueda deve fazer algo novo para o PS3 para que este valha a pena. Mas sem pressão, porque forçar um gênio a “geniar” é pecado. =O