Os videogames vão acabar – e a culpa é do Wii

Wii tem o controle da situação

Wii tem o controle da situação

Nem PlayStation 4, nem Xbox 720 ou Super Wii: seu próximo videogame poderá ser uma caixa virtual. Pelo menos é o que vem alardeando a indústria

Que o Nintendo Wii é um grande sucesso, todo mundo já sabe. Nesta última semana, o console da Nintendo atingiu a marca de mais de um milhão de unidades vendidas somente neste ano no Japão, desbancando o até então imbatível portátil DS, também da Nintendo. Globalmente, o Wii está próximo de atingir 50% do mercado de videogames de nova geração.

Esse sucesso todo, segundo alguns analistas de mercado, pode contribuir para que os avanços da próxima geração de consoles sejam menores em relação aos vistos na última transição. Ou, mais surpreendente ainda, pode fazer com que as novas máquinas simplesmente não existam: elas poderão ser simples serviços de distribuição digital.

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Quem faz essas previsões são, como não poderia deixar de ser, nossos amigos analistas. A primeira previsão, feita por Billy Pidgeon no site Next-Gen, tem lá sua razão de ser. Afinal, a Nintendo é a única fabricante que lucrou desde o começo com seu videogame. Tanto Microsoft quanto Sony subsidiaram as vendas de suas máquinas, tendo prejuízo a cada console vendido – a empresa de Bill Gates parece ter começado a lucrar com o 360 apenas agora, mais de dois anos após seu lançamento.

Isso acontece porque tanto o PS3 quanto o 360 mudaram radicalmente suas arquiteturas em relação aos seus modelos anteriores, fato que encareceu substancialmente seus desenvolvimentos. No caso do Wii, a Nintendo apenas deu um upgrade básico no hardware do Gamecube e acrescentou aquilo que foi o seu grande trunfo: um controle inovador com sensores de movimento – o célebre wiimote. Isso possibilitou ao console da Nintendo ser o mais barato da competição… até esta semana. Na Europa, o modelo básico do 360 está com um preço inferior ao do Wii, que ainda assim continua sumindo das prateleiras.

Essa situação, segundo o analista, será crucial para demarcar as estratégias do próximo round: Sony e Microsoft provavelmente adotarão a mesma tática e trarão algo mais próximo das máquinas atuais, possibilitando preços menores no lançamento. “O PS3 será o último console com tecnologia cara e de ponta que teremos”, disse Billy.

a outra previsão, proferida pelo ex-vice-presidente da divisão européia do Xbox, Sandy Duncan, parece ser mais improvável – ainda que perfeitamente possível. Segundo ele, os consoles como conhecemos hoje poderão sumir já em uma década, pois a convergência de dispositivos poderá facilitar a distribuição digital de conteúdo. “Há pouquíssima diferença tecnológica entre alguns gravadores de disco rígido e um Xbox 360”, exemplificou ele. Ok, mas se fosse assim, teríamos então uma plataforma universal, correto? Será que empresas como Sony ou Nintendo aprovariam um modelo de negócios assim?

No mundo dos computadores, tudo parece estar caminhando para o online. Há quem diga que em breve o computador será apenas um módulo receptor e que todos os softwares estarão na rede, a exemplo do que vemos hoje nos Google Docs da vida. Por que, então, os games não podem seguir o mesmo caminho?

Existem alguns entraves para isso. O primeiro, claro, diz respeito à conexão, que teria de ser de altíssima velocidade. Outra questão é o poderio do hardware receptor. Um conversor de TV digital, por exemplo, teria que apresentar tecnologia robusta para ser capaz de processar os gráficos de alta definição e em tempo real vistos hoje num console. A última, e talvez mais importante, diz respeito ao elo entre o gamer e o jogo: o controle. Nessa hipótese, as fabricantes poderiam vender apenas seus controles exclusivos… ou, então, chegar a um consenso daquilo que seria o “controle padrão” desse novo modelo. Intrigante, não? :)

Devaneios à parte, toda essa divagação ocorre por um simples motivo: a Nintendo subverteu a lógica de todos na indústria. No PS3 e no 360, leva-se muito tempo e gasta-se muita grana para fazer um jogo de ponta. Assim, um game precisa vender muito bem apenas para cobrir seus custos de produção. Esse modelo representou uma barreira aos desenvolvedores menores – quando não quebrou-os, obrigando-os a serem incorporados a grandes conglomerados. Essa sinuca-de-bico era uma bandeira que a Nintendo já levantara na época do Gamecube e que demonstrou-se verdadeira agora. Se a indústria continuasse nesse ritmo, fatalmente teríamos um novo “estouro de bolha” como o crash de 1984, que culminou no fim do Atari.

Vale lembrar que, mesmo quando perdeu a liderança de mercado para a Sony, a Nintendo nunca deixou de ter lucro com seus videogames. Tanto o Nintendo 64 quanto o Gamecube foram produtos lucrativos desde o início. O Wii, com muito menos poder de fogo que seus concorrentes diretos, ganha de lavada nas vendas e amplia o público dos videogames. No final das contas, o console pode estar formando os futuros jogadores de máquinas da concorrência. Portanto, os videogames não vão acabar. E a culpa é do Wii.

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Leia também: GameTube, Wii Lóqui Lóqui Uéééarghhhh!

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16 Respostas para “Os videogames vão acabar – e a culpa é do Wii”


  1. 1 Dudu Maroja 30 Março, 2008 às 3:17 pm

    O futoro esta sombrio para os gamers!!!

  2. 2 Bonilha 31 Março, 2008 às 11:41 am

    Bud, muito boa sua análise.

    Perfeita é pouco para dizer.

    Parabéns!

  3. 4 Paulo Cesar 31 Março, 2008 às 12:01 pm

    Realmente falou tudo. Nintendowned! :)

  4. 5 squirrel 31 Março, 2008 às 3:36 pm

    os seus textos sobre games estão entre os melhores que eu já li na net cara. Parabéns :)

  5. 6 Rael 31 Março, 2008 às 5:38 pm

    Bud, sobre o lance de a próxima geração ser uma requentada da atual, é bem possível. Afinal, no PC funciona assim (em sua maior parte).

    Antigamente, os videogames eram baseados em componentes de hardware já existentes, por isso o gasto não era tão astronômico (vide o Mega Drive baseado no processador Motorola M-alguma-coisa, o Master no Z80, etc).

    Sobre o videogame morrer: faz mais de 15 anos que escuto essa. E cada vez que alguém compra uma placa VGA de mil reais, joga os jogos “top” por 1 ano, vem um Crysis da vida e acaba com sua alegria de rodar tudo em 100%, o videogame marca mais 1 ponto.

  6. 7 Bonilha 1 Abril, 2008 às 10:40 am

    Perguntinha básica.

    Quando você vai aposentar o Saturn e arrumar algo mais atual (tipo um Play One rsrs)?

  7. 8 Rodrigo Budrush 1 Abril, 2008 às 10:51 am

    Cara, eu quase comprei um PSP há pouco tempo. Mas preferi investir a grana num curso de inglês intensivo, que estou para começar em breve. :)
    Eu me contento com meus emuladores no PC. Ah, e eu jogo PS1 no PC (Gran Turismo 2 rulez!) ;)

  8. 9 P.J 4 Abril, 2008 às 9:28 am

    Bom texto, budrush. Bem, essa caminho que os consoles podem pegar, também afetará os PCs. Afinal, mesmo tendo os jogos melhores graficamente. as produtora normalmente fazem o port do console pra PC e vice-versa. Talvez a corrida pelo gráfico perfeito das empresas de placas de vídeo diminua.

  9. 10 Finalgay 6 Abril, 2008 às 12:28 am

    Gentem, tinha que ser a Sandy pra dizer isso. Se isso acontecer, o que faram os “istas”? Manda ela voltar a cantar com o Júnior.

  10. 11 Ivan 16 Abril, 2008 às 12:36 pm

    Eu, apesar de não ser um analista, tenho previsto essa convergencia de tecnologias. Praticamente um Nostradamus.

    Peraí, sou um analista sim, de sistemas!

    Voltando ao assunto, infelizmente, essa convergencia não tem acontecido como esperava. Seria otimo ter boxes prontos, na sala, no quarto, na cozinha. Mas, com disse o Rael, os video games nao vao morrer. Sao pequenos detalhes que o deixam vivo até hoje.

    Quanto a migração dos softwares convencionais para a web, vocês notaram uma coisa?
    Antigamente, usavamos clientes burros, e o software era remoto (Mainframes), pois o hardware era caro. Depois passamos a ter cliente inteligentes, com a redução do custo de hardware. E agora voltamos para aplicações remotas. Ou seja, estamos retomando um modelo bem antigo já. Isto tem ocorrido pela disponibilização de novas tecnologias para a web, além, é claro, do custo e qualidade do acesso a internet (menos no brazil-zil-zil).

  11. 12 Victor 25 Junho, 2008 às 1:05 pm

    Eu não troco uma “caixa de jogos” (e não falo do Xbox!!! =D) por computador super-mega-fodônico nenhum!

    Gosto de sentar no sofá ou jogar deitado na cama
    Gosto de jogar numa TV
    Gosto de saber que o videogame aceita qualquer jogo que eu colocar nele.
    Gosto dos controles, dos fios, dos canhões ópticos, da tampinha que abre, dos conectores de energia, RGB, HDMI (=D), etc

    Um computador pode ter tudo isso, mas é UM COMPUTADOR. Você trabalha no computador, vê e-mails, Orkut, Internet, Vírus, Spyware e todas essas coisas chatas.

    Com a caixinha ao lado da TV, você “relaxa e joga” (e ainda ouve o barulhinho do canhão indo para lá e para cá).

    Concordam? =]

  12. 13 Rodrigo Budrush 25 Junho, 2008 às 2:11 pm

    Eu concordo, Victor. Nada substitui a comodidade de um console para jogar. Quer dizer… menos quando rola esses papos de ter que instalar algo no disco rígido (vide PS3) ou ficar baixando patches para jogos bugados que são lançados às pressas. :P


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