Internet faz mal à memória? Eu acho que sim…

'Devolve o meu cérebro, computador maldito!'

'Devolve o meu cérebro, computador maldito!'

…e o romancista italiano Umberto Eco, também. Mas e você, o que acha?

Tem muita gente que ainda não se deu conta da dimensão da revolução que vivemos. Parafraseando o Lulalelé, nunca antes na história deste planeta o ser humano comum teve tanto acesso à informação. Com a Internet e, principalmente, a criação do Google, houve uma democratização danada de conteúdo na rede. Mas ao mesmo tempo em que surgem novidades numa velocidade cada vez maior e mais e mais informações vão sendo agregadas, vemos também muito conteúdo fútil e dispensável por aí. E, também, tendemos a acreditar que tudo o que encontramos na rede é verdade, mesmo com muito conteúdo produzido por gente que às vezes nem sabe do que está falando – não diga “amém” a tudo o que você vê na Wikipedia! :P

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No último domingo, a Folha de S.Paulo publicou uma interessante entrevista (leia aqui se for assinante UOL) com o romancista italiano Umberto Eco, autor de sucessos como O Nome da Rosa e O Pêndulo de Foucault. Em dado trecho da conversa, o velhinho – ele já tem quase oitenta anos – ponderou sobre a internet e a avalanche de informações a qual temos acesso hoje:

“Talvez as novas gerações se acostumem a isso, mas existe uma velocidade do processo que é de tal calibre que a psicologia humana talvez não consiga adaptar-se. (…) Parece que tudo é certo, que você dispõe de toda a informação, mas não sabe qual é confiável e qual é equivocada. Essa velocidade vai provocar a perda de memória. Isso já acontece com as gerações jovens, que já não recordam nem quem foram Franco ou Mussolini! A abundância de informações sobre o presente não lhe permite refletir sobre o passado. Quando eu era criança, chegavam à livraria talvez três livros novos por mês; hoje chegam mil. E você já não sabe que livro importante foi publicado há seis meses. Isso também é uma perda de memória. A abundância de informações sobre o presente é uma perda, e não um ganho”.

Esse trecho da entrevista você pode ler na íntegra e livremente aqui.

Bem, confesso que sou um viciado em informação. Se não tomar cuidado, passo HORAS na web só lendo sem parar – sem nem sentir o tempo passar. É fantástico poder ler tantos jornais e revistas livremente, ainda que seja muito mais confortável fazer isso com suas mídias originais, e não na tela do computador. Mas confesso também que, não raro, sinto-me lerdo e com preguiça de pensar depois de tanto ficar à frente de uma tela. “A memória é nossa identidade, nossa alma; se você perde a memória hoje, já não existe alma; você é um animal”, diz Umberto.

Gostei muito da entrevista com esse cara. Recomendo a leitura a todos vocês. Apesar de nunca ter lido nenhum livro dele, virei fã. Vou comprar O Nome da Rosa, só de raiva. 8)

Mas e quanto a você? Concorda com o Umberto Eco? Também fica desmemoriado de tanta informação que vê na Internet? Diga aí! :D

Imagem do post: Stephanie Carter/Getty Images

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Leia também: Sua diversão no futuro será…

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9 Respostas para “Internet faz mal à memória? Eu acho que sim…”


  1. 1 Paulo Cesar 16 Maio, 2008 às 5:36 pm

    Nuss… concordo com o tiozinho aí tb.
    Já sou lerdo normal, mas depois de um tempo na internet fico pior ainda. Se não me engano uma vez li sobre uma pesquisa que dizia que o QI da gente diminui quando usamos e-mail e internet. Acho que é a mais pura verdade :D

  2. 2 Francisco 19 Maio, 2008 às 11:06 am

    Já tinha lido uma entrevista de Eco em q ele falava a mesma coisa. E o pior q ele continua tendo razão. Só não acho q ele deva colocar toda a culpa na internet; afinal, nenhum fonte de info é 100% confiável, seja a Wikipédia ou seja a Barsa/Britânica, etc. As enciclopédias tradicionais tb são passíveis de erros. T+

  3. 3 Rael 20 Maio, 2008 às 11:18 am

    Qualquer texto sempre tem, por mais que o autor tente minimizar, a influência do pensamento do autor.
    A Wikipedia tem defeitos, e posts controversos. Mas é apenas um efeito menor do benefício que ela traz.
    Como diria o Galvão Bueno, “sem omelete não se faz ovos” :P

  4. 4 Rael 20 Maio, 2008 às 11:19 am

    E antes da Internet, eu também lia como um louco. Leio até bula de remédio :P

  5. 5 Uehara 20 Maio, 2008 às 2:53 pm

    Concordo também sobre estarmos perdendo informação por causa da abundância, mas não só por isso. Eu acho que, por ser tão fácil conseguir informação, ficamos acomodados. Tem muita gente que pensa “ora, pra que SABER de assunto tal se posso procurar na internet quando precisar?”. Eu mesmo penso assim, e isso é errado! Mas é a lei do mínimo esforço, fazer o que… =)

    E valeu por comentar no meu blog! Tem muito blog legal por aí, como esse aqui mesmo, que eu não conheço/conhecia. É muito texto bom que acabamos nem lendo. Isso por causa do excesso de textos interessantes. E que continue assim!

  6. 6 Rodrigo Budrush 20 Maio, 2008 às 4:01 pm

    Beleza, Uehara, e seja bem-vindo! ;)
    E só pra constar, eu cheguei a comprar O Nome da Rosa, mas o pedido foi cancelado porque o livro está esgotado em tudo quanto é canto. Uau!… :o

  7. 7 Bonilha 21 Maio, 2008 às 12:18 pm

    Viva uma entrevista na Folha.
    Enfim, já sinto isso de perda de informação e, conseqüentemente, memória.
    Não se esqueça, tão importante quanto lembrar, é esquecer. Já pensou se ficasse na memória todas as pessoas que você encontra pelo caminho? Uma simples ida à 25 de Março seria motivo para infinitas dores de cabeça.
    Infelizmente, as pessoas só armazenam a informação inútil, o que importa é descartado.
    Como disse o camarada aí em cima, ninguém quer ir até uma biblioteca, pegar/comprar um livro e voltar para casa, abrir o livro e começar a ler.
    No mínimo, quando se interessa pela leitura, baixa no computador e, depois, dá uma folheada. Se for obrigado, lê o resumo e depois faz a resenha.
    Enfim, acho que é isso.


  1. 1 Eu tenho medo do Google « budrush.com | diversão + reflexão Trackback em 28 Setembro, 2008 às 7:18 pm
  2. 2 Retrospectiva 2008 - Tecnologia « budrush.com | diversão + reflexão Trackback em 21 Dezembro, 2008 às 5:06 pm

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