Will Smith mostra porque é um dos grandes astros da atualidade em Hollywood: ele, sozinho, responde por 70% da graça do filme
Semana passada, antes mesmo de conferir o novo Batman, assisti a Hancock (EUA, 2008, dirigido por Peter Berg), novo filme de Will Smith onde ele interpreta um herói renegado pela sociedade. Mas, ora bolas, por que diabos as pessoas rejeitariam um herói? Bem, quando ele é capaz de destruir pontes e viadutos para impedir três ou quatro assaltantes de fugir, descarrila um trem para salvar uma única pessoa ou joga uma baleia que estava encalhada bem em cima de um praticante de windsurf, é porque esse herói nitidamente tem algum problema. Ah, e pra piorar ele ainda é chegado numa birita. Com vocês, Hancock!
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Mesmo que não tenha agradado muito à crítica, especialmente a americana, Hancock tem muitos méritos. É um típico filme de super-herói, onde somos testemunhas das fraquezas e angústias do protagonista – ele tem um passado desconhecido e sente-se mal por não ter ninguém que o admire. Como já antecipei, Hancock faz o bem, mas de uma maneira não muito tradicional – assim, sua relação “custo x benefício” não compensa e acaba por despertar a ira da população de Los Angeles. Mas tudo isso é só até quando nosso anti-herói conhece Ray (Jason Bateman), um profissional de Relações Públicas um tanto quanto idealista que vê no seu salvador uma ótima oportunidade de marketing. Ray vai tentar transformar Hancock num herói dentro dos padrões, educado e gentil, com direito a uniforme e tudo. E é justamente esse processo de transformação o grande destaque do filme.
É compreensível que Hancock tenha despertado reações de empolgação e de desprezo. Se o primeiro ato do filme, que rola até a transformação do herói, é quase uma comédia de situação, o mesmo não se pode dizer da sua metade final. O filme transita entre a aventura de ação, comédia, romance e até mesmo drama, num carrossel de emoções que pode tanto agradar quanto decepcionar quem queria apenas dar mais algumas risadas. Porém, toda essa transição é defendida com muita dignidade pelo diretor e, principalmente, por Will Smith: cada vez mais, ele mostra por que é um dos grandes nomes de Hollywood na atualidade. Sempre convincente, ele soube imprimir ao seu Hancock uma personalidade que muito super-herói de grife por aí jamais conseguiria expressar.
Enfim, Hancock é diversão garantida… pelo menos até a metade. Se você embarcar no espírito da aventura, nem vai notar a virada no enredo e achará tudo o máximo. Mas, se espera somente por um filme de ação engraçadinho, é melhor já entrar na sessão de cinema com as barbinhas de molho no pacotão de pipoca.
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Veja também: Duro de aconselhar 1.0
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Filme muito bom, eu gostei bastante!
Quando Will Smith fez filme ruim?
Bud, excelente post.
Perguntinha: como eu não vi o filme e você comentou que “ele soube imprimir ao seu Hancock uma personalidade”, seria essa a “personalidade” a típica persona de Will Smith? Ou seria algo diferente do que estamos acostumados a ver do ator?
Por exemplo, em “Eu, Robô”, eu achei que o filme perdeu um pouco ao terem que adaptarem a história à persona Will Smith.
Acho ele um grande ator, mas acho péssimo quando tentam fazer ele sempre agir como se estivesse atuando ainda no seriado Fresh Prince.
Olha, mano Rael… acho que nesse filme a personalidade é compatível com o personagem, mesmo. O Hancock é largadão, meio hippie, não tá nem aí pra nada. É da dificuldade em ficar bonzinho, educado e gentil que vem muita da graça do filme.
Bud, Hancock é bem legal até a metade. Depois, fica basicamente a mesma coisa, sendo ainda que o filme não tem UM vilão decente. Curti o estilo até a parte em que ele sai da prisão.