Não é à toa que a maior feira de games do mundo não empolga mais ninguém: apesar dos recordes da indústria, nunca antes os videogames foram tão burocráticos
Há apenas dois anos atrás, os fãs de videogame faziam contagem regressiva para o mês de maio, época em que era realizada, em Los Angeles, a E3 (Electronic Entertainment Expo), o maior evento dessa indústria. Porém, a partir de 2007 – não por acaso, o primeiro ano de disputa entre PlayStation 3, Wii e Xbox 360 –, a feira foi adiada para o mês de julho e passou por grandes mudanças. O resultado é que agora, num período em que o setor ostenta os seus maiores recordes, os fãs são obrigados a presenciar uma exposição chocha, com anúncios previsíveis e apresentações parcas. E a E3 2008 foi além: não obstante ter sido a pior da história, serviu ainda para comprovar que a atual geração de videogames é, no mínimo, estranha.
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Em novembro do ano passado, no texto A nova geração é uma farsa, comentei como o desequilíbrio entre os novos consoles estava tornando a nova geração de videogames uma das menos empolgantes dos últimos tempos. Quase um ano depois, a coisa não mudou muito – apesar de termos visto alguns bons lançamentos para todas as plataformas.
É verdade que tivemos coisas boas como Super Smash Bros. Brawl para Wii, Grand Theft Auto 4 para PS3 e 360 e Metal Gear Solid 4 para o console da Sony. Mas também é fato que coisas como a instalação obrigatória de alguns jogos no HD do PS3, as várias configurações de consoles disponíveis para venda no 360 e PS3 e as cada vez mais evidentes limitações do Wii – como espaço de armazenamento insuficiente e imprecisão de seu controle, que agora ganhará um add-on – tornam a experiência nessas máquinas um tanto quanto frustrante. E, de uma maneira geral, ainda que tenhamos bons lançamentos em seqüência, estes não são assim uns “AAAs” de verdade como muita gente insiste em nos convencer. “Fica parecendo que todo mundo está desesperado em achar alguma coisa extraordinária na máquina cara e evoluída que acabou de comprar. Não estou dizendo que não sejam bons jogos, mas eles têm realmente o impacto pra indústria de um Mario 64 ou Final Fantasy VII, por exemplo?”, dispara o jogador mineiro Rafael Ventura, que não está sozinho nesse sentimento. “Joguei Metal Gear Solid 4 recentemente e achei fenomenal. Mas não passou nem perto da sensação que eu tive quando joguei o MGS original pela primeira vez. Essa geração tem muitos jogos legais, como Bioshock, Mario Galaxy e Halo 3, mas não dá pra esquecer de quando saía Symphony of the Night, Zelda Ocarina of Time, MGS e Resident Evil 2, tudo meio que ao mesmo tempo. Não consigo explicar por quê, mas esses jogos novos também não me animam tanto assim”, desabafa o paulista Victor Silveira.
No caso do Wii – que é reportagem de página dupla na Istoé desta semana –, as coisas tendem a soar ainda piores. Na E3, naquela que tenha sido talvez a sua pior conferência em um evento do gênero, a Nintendo simplesmente ignorou os jogadores tradicionais, apostando alto nos chamados “jogos casuais”, voltados a um público mais amplo e não tão acostumado a jogos mais complexos. O problema dessa história é que ela conseguiu despertar a ira até mesmo de seus fãs mais ardorosos, que esperavam ao menos pelo anúncio de um novo Zelda específico para o Wii. Além disso, a estratégia da Nintendo de dar preferência aos jogos mais simplificados preocupa quem gosta de super produções: “Meu maior medo é que o console banalize a indústria de jogos. Para que as empresas vão gastar milhões em um GTA 4 ou Metal Gear 4 se o que vende mesmo são os jogos nota 7 do Wii?”, questiona o analista de sistemas Rael Cunha. Bem, para ele e todos os outros que têm tal preocupação, recomendo a leitura deste texto publicado nesta semana no blog Continue.
A verdade é que, quase dois anos depois do início pra valer da briga entre os três videogames do momento, quem continua mandando bem na fita são os portáteis Nintendo DS e PSP, além do velho PlayStation 2 – que, surpreendentemente, ganhará mais de cem novos jogos ainda este ano. Não é por acaso que eles dominam as vendas em todo o mundo e são os queridinhos dos jogadores: com eles é ligar o jogo e pronto. Sem dor de cabeça nem preocupação com fatores externos. Sem, enfim, frustrações para o jogador.
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Leia também: Os videogames vão acabar – e a culpa é do Wii
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O ciclo de desenvolvimento dos games de agora é muito maior que os da época de SOTN e afns… e além disso, agora ainda temos o lance do hype exacerbado (seja por publisher ou pelos próprios jogadores, que ouvem uma informação X e interpretam sobre isso) é que dão um banho de água fria quando certos jogos saem.
O negócio da “imprecisão” do controle do Wii só veio à baila por causa da revelação do MotionPlus; tenho o console desde o lançamento e *nunca* me peguei pensando “que caído, não consegui jogar XYZ porque o Remote não tem precisão”. Os games que tiverem suporte ao MP é que vão dizer o quanto isso é necessário ou não.
E a Nintendo está absolutamente certa em vender o peixe deles ao público casual. 1) os jogos vendem, SIM, eles não estão nessa pela caridade; 2) muita gente esquece dos jogos não-casuais de thirds, e talvez a própria Nintendo tenha escalonado seus lançamentos para deixar isso mais claro… só neste ano tivemos No More Heroes e Okami, e ainda tem o Tales of Symphonia, um SimCity exclusivo, o novo Guitar Hero, etc… tudo third.
Jigu, discordo do controle do Wii: eu mesmo, no próprio Wii Sports senti falta de mais precisão (direções e força no Tenis, força no Baseball, e a falta de qualquer precisão no Box).
Quanto ao sucesso dos portáteis, principalmente no Japão, minha teoria: eles são simples de se usar como eram os consoles antigos. Você liga e joga. E com um plus: sistemas online descomplicados, sem lojas chatas e coisas do tipo.
Já quanto à PS3 e X360, você tem N configurações, e no caso do 360, ainda tem uma versão sem HD, que é a fúria das produtoras (que te obrigam à fazer um jogo que possivelmente rode sem HD).
Óbvio que os jogos estão caríssimos e complexos de se fazer para estas plataformas (PS3 e X360), mas as produtoras se dão ao luxo de não corrigirem todos os bugs por contarem com updates online.
E Jigu, mais uma observação: ninguém disse que a Nintendo está errada em vender seu peixe ao público casual. O que estamos reclamando é a falta de atenção aos “não-casuais”.
Você mesmo tem que concordar que essa E3 foi um balde de água fria. A apresentação da empresa foi do tipo “olha como estamos lucrando” + novos acessórios + o Wii Music (também conhecido como Retard Hero). Além da empresa ignorar o problema de armazenamento.
A reclamação é: Nintendo, você não está errada em ganhar dinheiro com os casuais, mas e quanto à nós, fiéis jogadores, que aguardaram anos por sua volta por cima e agora ficamos esquecidos?
Rael, vamos tirar uma coisa do caminho: *nenhuma* apresentação da E3 2008 foi boa de verdade. E a apresentação da Nintendo não foi errada, não. Todo mundo sabe que eles vão continuar fazendo as franquias conhecidas deles de sempre, mas aos olhos da imprensa e do público novo do console, eles estão se lixando se é Pit ou Samus no novo jogo. Óbvio que todos queriam que aparecessem, mas em uma visão puramente negócios, não está errado não.
Quanto à precisão do Remote, Wii Sports é uma parada puramente arcade, não é um mega-simulador de esportes realista… e mesmo assim tem suas nuances de movimento — obviamente, nada tão detalhado quanto você esperava. Para o que é, funciona. Em outros jogos — pré-MotionPlus, heh — a parada mostra mais ao que veio.
De resto, concordo com sua opinião.
Eu já tinha concordado em gênero, numero e grau com o texto da farsa. Agora vou ter que concordar com esse aí também…
Bud, primeiro, valeu pela citação.
Segundo, pra dizer a verdade, nem é muito a qualidade dos jogos, ou mesmo as complicações das novas máquinas que me preocupam. Esses jogos são legais, mas será que daqui a 10 anos a gente vai olhar pra trás e falar “nossa, esses jogos eram foda”? É basicamente isso. Você tem a impressão de que a nova geração não trouxe nada muito novo ao que já existia. Claro que é possível que, daqui a um ou dois anos, todo mundo já conheça o hardware bem e consiga resultados melhores, ou então que a gente esteja ficando velho mesmo… Mas essa é a minha impressão.
Acho que a maior inovação dessa geração foi mesmo a nova visão de jogabilidade que o Wii trouxe, Langdon. No PS3 e 360 rola um mais do mesmo que, não necessariamente, é uma coisa ruim. O negócio é que nenhum dos três consoles satisfaz completamente o jogador de videogame tradicional. Talvez seja a primeira vez que algo assim esteja acontecendo numa geração, e é principalmente isso que deve ser levado em consideração por todos.
Valeu pela citação, Bud!
Bom, minha opinião sobre o PS360 está mais do que clara no texto. É a geração mais “mais do mesmo, mais bonito” que já existiu. MGS1 era impossível de ser pensado no SNes. MGS2 e 3 o PS1 sonhando poderia fazer. Agora vai, o 4 não está tão longe da realidade do PS2. Sem dúvida ele não conseguiria rodar, mas um jogo semelhante poderia existir. É só ver que há ports de jogos de PS360 para Wii.
Quanto ao controle do Wii, minha primeira impressão já foi a de decepção. Zelda sequer replicava meus movimentos, o balanço só entrou no lugar de um aperto de botão. Wii Sports é bem legal, mas dá pra jogar até melhor com movimentos contidos e curtos, “enganando” a engine. Warioware só se deu bem porque é um jogo bem desencanado, e na verdade é bom até quando se usa apenas um botão pra jogar. O combate de espadas em Red Steel é uma piada de mau-gosto. O pointer, francamente, não é nada muito assombroso.
A verdade é que o controle de Wii, até hoje, não mostrou a revolução que prometeu. Os jogos de Wii, praticamente todos, poderiam existir SEM o controle. Tanto é verdade que um dos melhores, Smash, até incentiva o uso de controle tradicional.
E o link que o bud postou sobre jogos casuais é realmente excepcional. recomendo muito a leitura do mesmo. Será esclarecedor pra muita gente.
Ótimo texto, coloca vários pontos muito válidos, mas no geral, eu discordo.
A E3 não tem o mesmo peso de antes por não ter mais tanta exclusividade. Muitos jogos novos são apresentados na Tokyo Games Show e em outras convenções, ou mesmo notícias vazam na internet. Não precisamos mais esperar um ano pra saber das novidades. O acesso à notícia se tornou tão rápido e fácil que é difícil achar coisa nova pra mostrar na E3.
Sobre a atual geração, eu concordo sobre o hardware, mas discordo sobre o software. PS3 e 360 realmente são mais do mesmo, e o controle do Wii está muito abaixo do prometido (talvez o novo acessório resolva, talvez não). Mas a verdade é que a indústria dos jogos está no auge, não só em termos de faturamento, mas como em produção também. Jogos como Bioshock e Metal Gear 4 elevam o videogame a um status de arte, assim como o cinema.
Eu acho que a revolução desta geração não está em gráficos em alta definição ou sensor de movimentos. A verdadeira revolução está nas produções dos jogos. Nunca antes tivemos tanta variedade. Temos desde os jogos casuais do Wii até coisas cinematográficas como MGS4, passando pelo conteúdo criado por jogadores como em Spore ou Guitar Hero/Rock Band e muito mais.
Os consoles deixam, sim, a desejar. Mas os jogos estão fazendo bonito.
“A verdade é que o controle de Wii, até hoje, não mostrou a revolução que prometeu. Os jogos de Wii, praticamente todos, poderiam existir SEM o controle. Tanto é verdade que um dos melhores, Smash, até incentiva o uso de controle tradicional.”
Discordo com veemência. FPS em teclado e mouse e duplo analógico já me soa antiquado depois do Metroid Prime 3. Não vou deixar de jogar os que forem realmente bacanas por isso, mas mesmo assim…
Mas Jigu, um pointer infra-vermelho realmente é tão revolucionário assim a ponto de justificar a compra de um hardware “novo” e com um controle com tantas possibilidades desperdiçadas?
Até mesmo o Light Phazer do Master System possuía resultados semelhantes.
Uehara, muito do que você disse é totalmente válido. Mas vale lembrar que a geração anterior rolou inteirinha com Google e internet banda larga. Então, acesso a informação não é de hoje. Antes todo mundo guardava suas maiores revelações para a E3 talvez para fazer valer a grana que era gasta no evento (lembra que os altos custos foram apontados como o fator principal pra essa mudança atual?).
Agora, quanto às mega produções, é verdade… mas é uma faca de “dois legumes”: são cada vez mais caras e dirigidas a nichos cada vez mais específicos. Quando poucos jogos conseguirem recuperar no mínimo o custo de produção, a coisa vai ficar braba. É por isso que de boba a Nintendo não tem nada, como todos puderam ler no artigo indicado.
Há pontos que tenho que descordar e outros pra concordar do seu artigo Bud.
Concordo que a E3 desse ano só chocou pela falta de qualidade. Todavia, acho que isso ocorreu principalmente pelo descaso dos organizadores. Outros eventos como Games Convention e Tokyo Game Show cresceram justamente onde a E3 mais peca: o publico. A E3 deixou de ser um mega evento, mas ainda não tem participação do publico. Por isso que as produtoras e desenvolvedoras não mostram nada, já que o publico tem um papel cada vez mais importante no desenvolvimento de um novo jogo, o que a E3 não propicia.
Um ponto ruim do artigo é que ele é muito
saudosista. Há uma visão de que: “Ah, quando era mais jovem os jogos eram melhores e outros melhores ainda, e hoje em dia só lançam jogos bons, mas não memoraveis como da minha juventude”. Não é que jogos sejam piores do que no passado (Afinal pode olhar as notas em sites como Meta Critic e Game Rankings), só que os jogos que as pessoas jogaram quando mais novas as marcaram mais. Além disso, com a idade as pessoas começam a ter um senso critico maior, e com os game não é diferente. Quando era mais novo me impressionava a melhora grafica de cada novo jogo, mas hoje em dia é bem mais dificil. Não é porque os jogos atingiram um patamar que nada impressiona, mas sim porque acredito menos na qualidade dos jogos só pelos gráficos.
E sobre a imprecisão do Wiimote, tenho que dizer que comigo o controle não fuciona muito (A mira em jogos como Medal of Honor Heroes 2 fica balançando demais), eu penso que seja por causa de minha TV ser pequena e eu tenha que jogar relativamente perto, o que é ruim pro sensor observar os movimentos…Mesmo assim não é esse acessorio que vá corregir isso, na verdade deve é piorar…..
Um grupo de trabalho da faculdade que estou participando, um dos membros esta pretendendo usar o controle do Nintendo Wii por causa do sensor de movimento, os testes foram feitos a nível de se usar uma caneta infravermelha com o controle para simular um quadro digital, no caso usando um retroprojetor, um controle de Wii e uma caneta de infravermelho podesse ter uma tela touch screen gigante, podendo desenhar tranquilamente com a caneta na tela.
Mas mudando de assunto, atualmente os jogos estão ficando cada vez mais sem graça, poucos são os jogos que chegam ao ponto de me preder na jogatina, mas a maioria nem se quer agradar, sei lá acredito que para mim os jogos mais viciantes e criativos foram os da era 16 bits, os da era 32 bits até que tentavam inovar, surgiram bons jogos nessa época, contudo menos que os da época anterior, os de 64 bits até que foram bem criativos e tentavam ser inovadores (muitos conseguiam essa façanha), os da era 128 bits de cada 20 jogos só um ou dois chamavam a atenção mesmo em termos de inovação (sem ser gráficos), mas os da era atual são os jogos mais sem graças que já vi na minha vida.
Quando eu joguei pela primeira vez Metal Gear Solid achei o máximo, mas quando joguei o Metal Gear Solid 3 tive uma impressão de está jogando um siphon filter melhorado, pois mesmo com toda a idéia de simulador de guerra eu não conseguia me divertir com aquele jogo, os movimentos do personagem pareciam presos e a camera era muito travada em um só angulo, ao contrário do Metal Gear Solid que te dava mais opções e até ajudava você no jogo.
Super Metroid me viciou em termos de idéias e criatividade, mas quando vi o Castlevania Syphony of the Night vi foi um Super Metroid de vampiros, mas mesmo assim era legal.
Até pensei em comprar um PS2, mas o acho tão frágio e tão mais do mesmo que penso em comprar mesmo um Nintendo DS.