A (re) encarnação do demônio

Ele está de volta... mas só para os maiores de 18!

Cuidado: ele está de volta. Mas só para os maiores de 18 anos!

Quarenta anos depois, Zé do Caixão está de volta para mostrar que sim, nós temos trilogias. Sim, nós temos filmes de horror. E não, ele não é trash

Que levante a mão agora todos aqueles que tenham menos de 30 anos e já tenham visto algum filme do Zé do Caixão. :| Pois é, são mesmo poucos os que tiveram a oportunidade de conferir À Meia-noite Levarei Sua Alma (1964) e Esta Noite Encarnarei no Teu Cadáver (1967), as duas primeiras obras da trilogia que se encerra somente agora, quarenta anos depois, com a chegada de Encarnação do Demônio (Brasil, 2008, dirigido por José Mojica Marins).

Eu mesmo sou um que nunca tinha visto nada das produções do Mojica. Conhecia Zé do Caixão apenas pela sua figura exótica e casuais aparições em programas na TV – presenças essas, aliás, geralmente marcadas por bizarrices. Mas confesso que me surpreendi ao tomar conhecimento, ainda que parcial, dos filmes anteriores. E fiquei ainda mais surpreso após conferir o resultado final de Encarnação do Demônio: com este filme, Mojica não só completa o seu projeto de vida como dá novo gás a um cinema nacional que andava um tanto quanto medíocre nos últimos tempos.

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A trama do filme se baseia no mesmo princípio dos anteriores: Zé está à procura da “mulher perfeita” para dar continuidade à sua linhagem. E desta vez, estará obcecado em ter sucesso nesta busca – afinal, após ficar atrás das grades por quarenta anos, agora ele está velho e atormentado pelos fantasmas do passado. Para eleger essa mulher, Zé promoverá testes nada agradáveis às candidatas ao posto – além de despertar a ira de muita gente, como um padre que teve o seu pai morto pelo coveiro.

O fato de não ter assistido aos filmes anteriores não atrapalhará em nada quem se aventurar a conferir Encarnação do Demônio: cenas-chave dos filmes anteriores aparecem para situar o espectador e nos apresentar os mortos que atormentam nosso anti-herói de capa e cartola. Além disso, muito se engana quem pensa que este novo filme é uma obra trash: ainda que a interpretação teatral e certas bizarrices do enredo nos façam rir ao invés de ter medo, o cuidado de produção imposto neste filme transforma-o numa obra de primeira linha. Tecnicamente, Encarnação é impecável. E, para a felicidade geral da geração Jogos Mortais, é também nojento, sanguinolento e sádico – além de notadamente pornográfico. Sim, mulher pelada é o que não falta neste filme, com direito a nudez frontal e tudo, além de outras surpresas não tão agradáveis – uma das cenas do filme mostra uma mulher comendo sua própria bunda e outra, uma mastigando um pênis. Bizarro é pouco! :)

Enfim, Mojica mostra, com o fim de sua trilogia, que o cinema nacional pode – e deve – arriscar boas produções também em outros gêneros. Seu Encarnação do Demônio é uma fita justa e honesta, que resgata com dignidade o gênero do horror em searas tupiniquins. Resta saber agora como seu filme se sairá nas bilheterias – afinal, com apenas 60 cópias, não é todo mundo que vai poder ver o unha grande nas telonas. Pelo visto, o fim dessa saga fará sucesso mesmo é no DVD – o fato de ter recebido a (justa) classificação 18 anos restringe ainda mais a sua fatia de público, já que geralmente quem gosta mesmo dessas nojeiras todas é a molecada. Resumindo, Encarnação do Demônio é filme pra gente grande! :D

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Apesar de publicar esta resenha apenas hoje, tive o prazer de conferir este filme na quinta-feira passada, antes de sua estréia oficial nos cinemas. José Mojica Marins saudou todos que lotaram a sessão especial do Cine Roxy, em Santos, para apresentar a sua “bíblia do horror na América Latina”. Foi muito aplaudido.

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Pra quem não sabe, um dos outros destaques de Encarnação do Demônio é o seu site oficial, produzido pela santista Mkt Virtual – olha, é o meu atual emprego! :D Tive a honra de colaborar nem que fosse um pouquinho nesse projeto tão bacana: fiz alguns dos textos da seção “A história de Josefel Zanatas”, onde você poderá assumir a pele de Zé do Caixão e reviver as experiências dos filmes anteriores da saga de forma interativa e aterrorizante. Sem contar também, é claro, que você pode mandar uma maldição para alguém – você não imagina como isso está fazendo o maior sucesso! Vai lá dar uma conferida! ;)

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Confira aqui um especial sobre o Zé do Caixão.

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Veja também: Novo “Batman” é bom, mas cansa

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9 Respostas para “A (re) encarnação do demônio”


  1. 1 Paulo Cesar 17 Agosto, 2008 às 2:18 pm

    Caramba vc me deixou com vontade de ver esse filme agora. :P

  2. 2 charlie 17 Agosto, 2008 às 7:23 pm

    AMALDIÇUEI O MEU IRMÃO, HAUHAUAHUAHHAA !!!!!!!!
    :D

  3. 3 Rael 20 Agosto, 2008 às 11:01 am

    Bud, a primeira vez que ouvi falar do filme foi justamente por receber a “maldição” que você me enviou! :)

  4. 4 Gustavo Oliveira 28 Agosto, 2008 às 2:56 pm

    Eu estou realmente querendo assistir esse filme.

    é a primeira vez que o Brasil não faz algo no naipe: “favela”, “bandido”, “tiro” ou coisas do gênero.

    Filmes como “muito gelo e dois dedos d´água”, “Deus é brasileiro”, entre outros não vingaram…

    Esse aparentemente, vai vingar.

  5. 5 Rodrigo Budrush 28 Agosto, 2008 às 3:25 pm

    Gustavo, esse filme simplesmente foi selecionado para a mostra paralela do festival de Cinema de Veneza. Isso não é pra qualquer um não, mano. Fora o prêmio de melhor filme que ganhou num festival brasileiro antes mesmo da estréia nos cinemas. Eu diria que, não fosse o número diminuto de cópias e a censura 18 anos, Encarnação do Demônio teria tudo pra ser o maior fenômeno do cinema nacional desde 2 Filhos de Francisco. :)

  6. 6 Gustavo Oliveira 29 Agosto, 2008 às 2:37 pm

    Ah, mas na boa…

    O “2 Filhos de Francisco” que, a meu ver, é um bom filme no geral, tem um apelo muito mais comercial do que o do zé do caixão.

    Além de ser do Zezé de Camargo e Luciano (que já basta para atrair as massas ao cinema) o fato de ser um filme do zé do caixão atrapalha muito.

    O preconceito da galera é gigantesco. Todo mundo pensa que seria trash demais…

    Graças à Deus, não penso como esse povo.

  7. 7 Rodrigo Budrush 29 Agosto, 2008 às 3:37 pm

    Sim, é verdade, mas lembre-se que a galera mais jovem adora coisas nojentas e bizarras, além de ser a fatia de público que geralmente mais vai ao cinema. Se não houvesse tanta pornografia, talvez o filme tivesse conseguido uma classificação 14 anos e pudesse atingir uma fatia maior de público.
    Mas enfim, que rola preconceito, isso rola mesmo. :)

  8. 8 Fábio Santos 15 Setembro, 2008 às 2:02 pm

    ÓTIMA RESENHA DESTE EXCELENTE FILME SOBRE COFFIN JOE


  1. 1 Vota aí, peixe! « budrush.com | diversão + reflexão Trackback em 4 Outubro, 2008 às 4:29 pm

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