Eu tenho medo do Google

G1, o primeiro celular com o sistema do Google - o 'Windows' dos celulares?

G1, o primeiro celular com o sistema do Google: o 'Windows' dos celulares?

O gigante que manda na internet agora quer mandar também nos celulares. Até que ponto sua onipresença é saudável?

Na mesma semana em que o famigerado iPhone desembarcou oficialmente aqui no Brasil – com direito até a barraco de celebridades –, era anunciado nos EUA o lançamento do primeiro celular com a plataforma Android, do Google. Com o sistema, o gigante da internet chama a Apple para a briga e tenta impor a um mercado bilionário e promissor um padrão próprio que pode lhe valer ainda mais poder do que já tem.

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Neste mês, o Google completou uma década de vida. Nesse período, a empresa passou de um simples serviço de busca à grife mais poderosa da internet, além de ostentar atualmente o posto de marca mais valiosa do planeta – 86 bilhões de dólares, um valor de mercado maior que o da Coca-Cola ou da Microsoft.

O inesperado lançamento do Chrome, opção googliana de navegador para a web, já denotou que a empresa parece determinada a alçar vôos muito maiores nos anos vindouros: com o alcance da internet aumentando cada vez mais, seus tentáculos agora precisam atingir outras searas além dos computadores. E os celulares parecem ser o grande filão a se explorar.

Ano passado, a Apple fez o mundo tremer com o lançamento do seu hiper-mega-blaster-extended-hypeado celular, o iPhone. Mais do que impor a um novo mercado o estilo Apple de ser – upgrade visual, design chamativo, facilidade de uso e status –, o aparelho foi concebido para ser a plataforma definitiva para se usar a web no celular. Até o lançamento do celular da maçã, acessar a internet nesses aparelhos era uma experiência complicada e, não raro, frustrante. Com o Android, o Google desafia o iPhone e repete, em outra escala, a mesma briga já vista há duas décadas atrás, quando Apple e Microsoft duelaram para criar um padrão de sistema operacional para computadores pessoais.

Ao que parece, a história vai se repetir: assim como o Mac OS, o iPhone tende a ser restrito a uma fatia que prima pelo estilo Apple. Enquanto isso, o Android, o Windows dos celulares, provavelmente se alastrará por todos os outros modelos de telefones e se beneficiará da política do Google em incentivar qualquer um a fazer aplicativos para seu sistema – algo que a Apple até tenta fazer, mas com muito mais restrições. Empresas como LG, Motorola e Samsung já anunciaram que vão lançar em breve modelos de celulares equipados com o Android. Só a Nokia, que tem o seu próprio sistema operacional, ainda manifesta algum receio em embarcar na onda.

Se o futuro dos computadores é a internet, é bom todo mundo começar a colocar suas barbinhas de molho. Detentor de 70% do mercado de buscas e de porcentagem equivalente na publicidade on-line, além de dono de serviços populares e bem-sucedidos como o Gmail, Orkut e YouTube, interessa muito ao Google que todos transfiram seus arquivos – e, por que não, suas vidas? – para a rede. Nesse modelo de negócio, conhecido como “nuvem”, o computador seria um mero instrumento físico de acesso. Softwares, arquivos e etc. estariam todos na rede. Não é por caridade que a empresa vai financiar internet via satélite para 3 bilhões de pessoas: investir na disseminação da web, tanto nos computadores quanto nos celulares, é expandir mais ainda os negócios da companhia. Para o Google, toda a audiência atraída aos seus sites é garantia de lucro com a publicidade on-line, dona de 98% de seu faturamento.

Se para promover o navegador Chrome a empresa se dedicou a colocar destacados links para download em todos os seus principais serviços, no Android sua estratégia foi ainda mais agressiva: todo o sistema está sendo oferecido de graça para os fabricantes de celular. Do mesmo jeito que você, eu e outros tantos milhões não desembolsamos um centavo para usar os serviços do Google, é de se esperar que a grande maioria das fabricantes optem em economizar custos e dêem preferência à plataforma googliana em detrimento da Apple, Microsoft, Nokia e Palm – todas cobram royalties para o uso de seus sistemas. Caso essa adesão se confirme, o monopólio que a Microsoft instaurou nos computadores e que fora objeto de tanta polêmica nos anos 90 será fichinha. Te cuida, Apple. Te cuida, Yahoo!. Te cuida, Microsoft. Te cuida, Nokia. Te cuida, Globo. Te cuida!

Eu tenho medo do Google. :|

Imagem do post: montagem sobre foto de divulgação.

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Leia também: Internet faz mal à memória? Eu acho que sim…

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3 Respostas para “Eu tenho medo do Google”


  1. 1 Paulo Cesar 30 Setembro, 2008 às 4:38 pm

    Eu também tenho medo do Google! Esses caras ainda vão dominar o mundo… :P


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